sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ficção


Noite fria.

Dois amigos sentados na mesa de uma cafeteria, daquelas frequentadas por pessoas que parecem sempre ter algo importante a dizer.

- Se isso fosse um filme, aquele casal na mesa de trás não seria de namorados.

- Quem disse que eles são namorados? Eu não vi nada. E por que ''se isso fosse um filme''?

- Eu acho a menina linda. O que você acha do cara?

- Maravilhoso.

- Exato. Se isso fosse um filme, eles seriam ou irmãos ou melhor ainda... Eles seriam melhores amigos, e um cara melhor amigo de uma mulher é sempre gay. Ou seja, nós dois teríamos nossos pares. Eu daria uma olhada pra ela e ela sorriria de um jeito meigo e encantador, enquanto o cara piscaria o olho pra você e você ficaria vermelho. Eu passaria na frente da mesa deles com a desculpa de ir pro balcão e começaria uma conversa estúpida, aí nós quatro sentaríamos na mesma mesa. A gente ia passar o resto da noite numa conversa inteligente e agradável. A gente ia se encantar com cada detalhe dos gestos deles e eles iam retribuir com uma simpatia acolhedora e fariam comentários engraçados e provocadores. Durante a conversa, uma sensação de leveza e conforto, como se eles dois fossem nossos velhos conhecidos; como se eles fossem aquelas pessoas que a gente se sente bem só de ter por perto. Aquela sensação mista de alegria e tranquilidade quando se está na presença de alguém diferente, e importante. No final da noite, a gente ia ficar triste de ter que ir embora e trocaríamos contatos para continuarmos nos falando de hoje em diante. E nós dois iríamos para a aula sabendo que nessa noite tínhamos conhecido pessoas especiais.

- E tudo isso nunca vai deixar de ser ficção?

- É como eu disse, ''se isso fosse um filme''...

- Por quê?

- Porque eles estão se levantando, de mãos dadas e se beijando. Estão indo embora, e nunca saberão que nós existimos. Porque isso não é um filme.

- O que é isso, então? O que você quer dizer?

- Nada. Olhe em volta. Isso não é um filme. É só a vida.

sábado, 13 de setembro de 2008

Mudar

video

Inabilidade para mudar. Ficar preso ou acomodado? Talvez representem a mesma coisa.

Se o segredo da vida é aprender a viver na mediocridade e se divertir, mudança pode ser algo opcional. Talvez o mais complicado não seja o ato de mudar. Talvez o mais complicado seja admitir a necessidade de mudança.

Quando mudança é necessária algo não anda bem? Não sei, mas pra muitos o (simples?) pensar sobre a situação das coisas pode levar a caminhos escuros.

Se o futuro é uma incógnita e às vezes um fantasma, mudar pode ser um passo na direção do desconhecido.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Seeking Grace




-‘’ I’m afraid I lost her for good. I can feel it. Things are not the same anymore; it’s all different. I walk the streets every night, I talk to strange faces, I even search my own mind; but I can’t move on, I’m stuck.
I’m sure I won’t find her if I don’t do something different. I gotta break this wall before it’s too late. I already feel like giving up, sometimes. I catch myself contemplating the possibility of losing the fight. Of falling. Of letting the dark fill the voids. Maybe I’ve already lost the battle and I’m just too scared to admit the defeat. Maybe my life right now is just a prep course fot the life I’m about to live once I realize there’s no turning back, there’s no finding her.
But it can’t be. This can’t be it. I cannot allow myself to become a walking shadow. There’s gotta be a way to escape, to resist... I know she is the way; I know Grace can make it all better.
I do remember when I had Grace in my life; those were good times. Times of joy. Times of innocence? In a sense, yes. Sadly most awakenings are rather painful. Times of light. I just can’t believe I lost her, I let her slip away. Or, maybe, no. Did I actually drive her away? Of course not; why would I do such stupid thing?
I was happy with Grace. I could see happiness around me, I could see reason in people’s actions. I was able to find the good underneath the ordinary. Now things disgust me too easily; now I breathe without a purpose. I wake up every morning and wish I was still asleep. It can’ be good. It can’t be right.
Who am I to look down on everyone else?Who am I to question my life? I don’t know how to respect people anymore, probably because I stopped respecting life.
I look around and see nothing. I feel helpless; maybe I’m starting to feel hopeless. I shouldn’t. Because I know the way out, because I know that she’s out there. I just gotta pull myself together and look for her. I have to deserve her.
The day can’t scare me anymore; I must face the light, get used to it and broaden my horizons. I’m done with the whole night thing; I know my eyes will feel sore for a moment, but then they’ll get better and help me look.
I have to see through the obstacles, change my perspective. I have nothing to lose anyway. Without Grace I have nothing to lose. Maybe that’s good; maybe that’s what is pushing me to the fight. Every man worth a dime must have something to lose. We’re nothing without the things we lose, which makes me think that I was a great man not long ago, when I had Grace.
Where should I look for Grace? That’s the problem; I don’t know where to start. She could be anywhere; she could be watching me. Maybe she doesn’t want to be found; maybe she is hiding.
It can’t be. That’s not like Grace; she knows I need her. Everybody needs her, actually. But I’m the one she’s chosen, all I gotta do is find her. Again. There’s no use looking back on how I lost her. I must focus on the search. The places where she might be.
She certainly isn’t among the people I know because I don’t know anybody. I’ve long decided not to know anybody, and I’m comfortable with that decision.
Grace wouldn’t be with the people I would be likely to know anyway.
I should get rid of the doors that block me, but there are so many of them that I don’t even know what they’re blocking.
I wonder if I’m really alone in this world. I wonder if I’m the only one losing the fight; or even the only one fighting at all.
I wonder if I’m the only one out of Grace. Probably I’m the only one who once had Grace, and that’s my curse. I tasted life with Grace and lost her. Now I can’t accept a Graceless life.
That’s why I’m not giving up the fight.
I‘m ready to scare the darkness away.
I’m ready to enter the day.
I’m ready to find Grace.’’





quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Igual


Tudo tão normal. Nada faz a diferença. Não exatamente as mesmas pessoas todos os dias,

mas os mesmos tipos e as mesmas situações. Se cada um for um mundo diferente, complexo e interessante, parece que todos se esforçam para esconder isso. Ou mais, mostrar exatamente o contrário. Me pergunto como eu sou visto de fora; provavelmente a mesma tábua que vejo nas pessoas do ônibus de manhã, nas pessoas que cruzo nas ruas, no metrô de noite...

Se o mundo é tão repetitivo quem se tornou chato não foi o mundo, e sim as pessoas.

Se eu estou falando o óbvio não se surpreenda. Sou apenas mais um de vocês.